Teoria Queer: WTF?

Vamos pelo começo: Deus criou o homem e a mulher, certo? Certo pra quem, capa pálida? Primeiro, você tem que aceitar que a sexualidade não se define como algo biológico, porque você nasceu com torneirinha ou pombinha. Caso você não aceite isso, pode parar por aqui. Se você aceita que a sexualidade não é uma condição biológica, podemos continuar.

Segundo, você precisa aceitar que não existe opção sexual. Isso acarreta dizer que a gente escolhe ser hetero, gay, lésbica. Eu não escolhi ser homem e gostar de mulher. Até porque, se eu escolho, e para ter uma escolha verdadeira, eu deveria sair experimentando todas as formas de sexualidade para dizer exatamente qual será a escolhida para eu levar para a vida. Eu não estou muito a fim de experimentar sexo com homem (até aqui deixo você manter um pouquinho do seu preconceito, eu mantenho o meu 🙁 ).

A minha atração sempre foi por meninas (na infância), garotas (na adolescência) e mulheres (na minha vida adulta). Por isso, minha orientação sexual é heterossexual (atração pelo sexo oposto). O termo é mais correto, umas vez que eu não escolhi gostar de nada, simplesmente sou assim.

Terceiro, minha orientação sexual não é doença. Não existe o heterossexualismo, homossexualismo, bissexualismo. O sufixo ismo determina doença, e eu não sou doente por ser heterossexual. Logo, existe a heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade.

Identidade de Gênero

Agora começa a ficar um pouco confuso, até para mim. Surge então o conceito de identidade de gênero. Gênero, em uma primeira definição, seria o sexo dessa pessoa: homem ou mulher. Porém, como vimos lá em cima, isso não define as diversas formas com os quais as pessoas se identificam. Logo, o conceito de identidade de gênero diz respeito a como uma pessoa se identifica: homem, mulher ou fora do convencional.

Temos então, as pessoas transgêneras: não se identificam com a sua genitália. Temos os travestis (nascem com o corpo masculino, mas se identificam com o corpo feminino) e os transexuais (optam por, com acompanhamento psicológico, a fazer cirurgia de mudança de sexo).

Daqui em diante, não me atrevo a discorrer. Existem diversas situações entre como as pessoas se identificam e diversos conceitos (sexo biológio, expressão de gênero, identidade de gênero e orientação sexual). O infográfico abaixo dá a dimensão disso.

Infográfico sobre a diversidade sexual – Fonte: Wikipedia

Teoria Queer

Até aqui, vimos de uma forma um pouco geométrica a questão da sexualidade. Grupo homem e grupo mulher, na biologia. Sub-grupo heterossexual, homossexual, bissexual na orientação sexual. Um “sub-sub-grupo”, talvez, em relação a identidade de gênero.

A gente tem essa tendência, mesmo quanto tentamos não sermos preconceituosos, a tentar encaixar as coisas em caixinhas muito bem definidas, até mesmo para tentarmos entender. Mas algumas coisas são mais complexas, principalmente se envolve as emoções humanas.

A Teoria Queer, pelo o que eu entendo, tenta sair um pouco dessas necessidade de enquadramento. As diversas formas de sexualidade não são apenas definidas ao nascer, por mais que você não aceite apenas a concepção biológica apenas. Ela coloca que identidade de gênero, orientação sexual não são formados ao acaso, mas que é um processo de construção social também, e se deve considerar diversos elementos nessa “formação sexual” (não sei se cabe esse termo).

O nosso entorno social nos faz representar diversas sexualidades. Aquele colega de trabalho, duro nas negociações, mas que requebra na festa de fim de ano da firma, deve ser considerado um macho alfa ou um afeminado? Como essas representações o afeta na sexualidade? São essas diversas representações que irão determinar suas diversas sexualidades.

Acho que o recado que deve ser dado é que é preciso respeitar as pessoas, parar de tentar encaixar todo mundo em nossa visão de mundo, e saber, por fim, que o que importa é o amor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *