A homofobia nossa de cada dia

Na infância, não tive contato com pessoas que, abertamente, se declaravam homossexuais. Sou um pouco velho, então o tabu de hoje era um pouco pior que o de ontem. Haviam sim, dois garotos que a gente chamava, naquela época, de viadinhos, na vila onde eu morava.

Havia os trejeitos, o fato de estarem sempre juntos, etc. Não lembro de fazer “coro” na zoação, até porque eu era fraco e pequeno, e sempre apanhava. Mas não fui um garoto que tomava partido para defendê-los.

Minha irmã era amigo de ambos. Ela sim, sempre foi de defendê-los. Aos 15, 16 anos, isso começa a mudar, já que eu começo a andar com os amigos dela, os dois inclusos. Nessa época, eles frequentavam minha casa, e sempre ouvia brincadeiras do tipo que eles estavam dormindo na minha cama, etc. A partir desse momento, aí sim, enfrentava-os e não negava nossa amizade.

Apesar disso, não posso negar que sempre tive comportamentos preconceituosos. Acredito qua uma boa parte disso se dá pela repetição de brincadeiras e comportamentos que as pessoas fazem porque imaginam serem comuns, e não fazem questionamentos. Na época em que eu era já adulto, com um pouco mais de consciência sobre as coisas, as vezes confrontava as pessoas nessas brincadeiras, e a maioria não viam mal nenhum, era apenas “brincadeiras”.

Dos meninos citados, um manteve sua orientação homossexual, enquanto o outro é casado com uma mulher e tem filhos. Não por acaso, esse último era a pessoa com mais “trejeitos”. Quando vejo os especialistas dizendo que é preciso certa idade e maturidade para realmente saber com a orientação, lembro sempre dos dois.

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