Danoninho

Seu eu pudesse dizer sobre algo que definiu a minha infância, foi esse saboroso iogurte (que na verdade é um tipo de queijo X com sabor de morango). Definiu tanto no sentido emocional quanto no sentido econômico, social, etc.

Eu não tinha muita grana, e minha mãe sempre comprava do genérico. Então, não sei quando nem o porque, comecei a roubar isso no mercado. Na verdade, até para isso eu sempre fui muito bundão, então eu escondia na cintura, e subia uma escada rolante que existia no antigo Peralta, perto de minha escola, para a sessão de brinquedos. Lá, eu me escondia atrás de alguma prateleira para comê-lo.

Algumas vezes, eu ia até o mercado com um amigo, Marcel, e a gente sempre esquematizava algum furto. Uma vez, “a casa caiu”. Nós começamos a discutir quem iria levar o flagrante para fora do mercado, e na discussão, como eu não tive coragem, ele quem colocou na cintura. Na saída, enquadro dos seguranças do mercado.

Eles nos levaram para dentro de um balcão na frente dos caixas, justamente para passarmos vergonha. Eu lembro de ter ficado com tanto medo que comecei a chorar. Chorar não, espernear. Os seguranças com aquela conversa de que iríamos ser presos, chamariam a polícia, etc.

Só ganhamos nossa liberdade quando eu passei o telefone correto da minha casa. Eles ligaram e falaram com o meu pai. Você imagina o medo que eu estava de chegar em casa, certo? Só não tomei uma surra porque o segurança tinha falado que estava com meu amigo, e é claro que eu disse para o meu pai que eu não sabia que ele tinha pego. Mas minha surra chegou em outro momento.

Enfim, eu acredito que isso tenha sido uma experiência muito marcante, mas nem por isso parei de cometer outros pequenos delitos. Acho que, nesse momento da minha vida (eu tinha, se muito, 10 anos), já deu para perceber que eu era covarde, medroso e mentiroso. Isso, graças a Deus, mudou, devido a outras experiências, mas não deixa de marcar uma identidade que eu tinha naquela idade.

Acredito que a falta de grana, e o excesso de vontade de ter diversas coisas, fez com que eu trilhasse esse caminho meio delinquente. Só fui mudar quando comecei a andar com garotos mais velhos do que eu, o que me fez ser muito mais consciente da minha situação. Como digo, a rua é uma grande escola.

Beijos mil.

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