Pouca grana, muita rua

Minha história de vida começa na rua. Cresci em uma vila de classe média alta, porém era mais pobre que as demais crianças no geral. Como a rua de casa só liga a vila em sí, não dando destino para outro lugar, o fluxo de carros era bem baixo. Em frente de casa tem uma quadra, e tinha também ao lado um parquinho. Então, sempre fui de ficar na rua, minha mãe nunca ficou embaçando, até porque era mais seguro que o normal.

Nunca gostei de estudar, e nem de ficar em casa. Minha adolescência inteira foi matar aula na escola e ficar na rua de tarde até de noite. Quando não tinha matado aula, chega em casa umas 12h30, almoçava e já ia para a rua, e ficava até umas 20h, 21h, quando era hora de entrar para tomar banho.

Geralmente eu me irritava de ter que sair da rua para ir tomar banho, então ligava o chuveiro e ficava sentado na privada esperando dar o tempo do banho. Antes de sair, molhava o cabelo na torneira da pia.

Nunca tive o vídeo-game do momento, então geralmente eu ficava na casa das outras pessoas que tinham jogando até ser expulso. Quando as mães não deixavam eu entrar, ficava na janela vendo ou esperando ser convidado. Ter passado tanta vontade na infância deve ser o motivo de eu não guardar dinheiro nunca, umas vez que não passo vontade atualmente, e estou sempre fodido de grana.

Essa criação na rua teve seus prós e contras. Hoje não sou um mocorongo, tenho muita malícia e não deixo ninguém me passar a perna. Sei quando as pessoas estão mal intencionadas comigo, e me viro muito bem. Porém, sempre tive dificuldade em estudar, não tenho disciplina para nada e tudo o que eu começo, não termino.

Convivi com drogado, ladrão e traficante. Fui apresentado a maconha ao 11 anos, apesar de não ter provado. Comecei a beber com 14 anos, e até hoje não parei. Roubava iogurte, câmera de vigilância, isqueiro e até pasta de dente. Soltava e corria atrás de balão. Não me comportava em sala de aula e minha vida acadêmica é uma trajédia. Mas isso também é história para outro momento.

Beijos mil!

2 respostas a “Pouca grana, muita rua”

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